sábado, 7 de setembro de 2013
Une petite chose
Hoje eu acordei inerte, inerte no mundo, em um oceano onde é preciso lançar os cavalos ao mar para que o barco avance. Quais são meus cavalos? O que de bom preciso jogar para avançar? O que me prende nesse marasmo que está repleto de asco, longe do mar que me acalma.
Uma pequena janela para mirar a vida. Quero mais, quero a imensidão, quero a lua, o sol, o céu, o infinito de estrelas. Quero o cheiro, o respiro, o suspiro. Quero o todo e que o todo me engula, me leve, me conduza.
Não quero mais pensar ao dar um passo, quero que ele seja guiado por deuses de Apolo, quero que minhas asas sejam lançadas ao vento, quero cair em meio a cores, a tintas, a vultos, a lembranças felizes, a choros já derramados. Quero deixar tudo isso e renascer como a Fênix das cinzas de meus próprios pés. Quero assoprar tudo ao longe, não deixar nenhum vestígio, nem uma fuligem sequer. Quero o novo que me aguarda. O caminho que me apresenta de luzes e novas trevas.
Quero balançar com o vento e ser lançada, quero sentir meus cabelos irem embora, meus olhos avistarem mais pra lá do que consigo enxergar hoje. Quero enxergar o tudo, o nada, a beleza, a feiura deste mundo e dos outros.
Quero me esvaziar do que eu sou e me encher do que são. Quero viver as mil vidas que me circulam. Não quero ser eu para ser eu. Eu sou eu. Um ser renovado ante a catástrofe de crescer, de morrer infantilmente...
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