Me sinto como uma parte de um quebra-cabeça que foi jogado ao mundo. Cada parte para um lado e eu
não consigo encontrar o que se encaixa comigo. Não consigo continuar o meu desenho indefinido. O borrão no
papel. Meu destino é feito por 4 lados cada qual a seu modo, ao seu contorno, no seu limite. Com suas cores e
belezas para completar a minha ilusão do todo e do nada, de um quadro na parede, formada por milhões de
pequenos caminhos, peças, pedaços de tempo que se encontraram e juntas buscam um fim, uma utilidade, um
sentido. Será que a vida, está feita somente para ser apreciada de longe num buteco de esquina, numa parede
desbotada por bêbados pensadores, por poucos reflexionistas que afogam sua visão e seu pensamento idéias
deixadas em vão, não ouvidas, escutadas, no quarto de buteco, na mesa do bar e se joga neste simples quadro,
com suas peças certas, seu jogo encerrado, com um propósito comum, mas com vistas diferentes para cada
telespectador. Da vida? Do caminho? De cada peça? Porque se uma peça não estiver presente, o que pode
acontecer? Se ela nunca for encontrada? Será uma peça chave para entender o todo? Ou será simplesmente um verde
de uma folha qualquer. Como saber? Um dia talvez alguém encontre e me diga, me entregue. Porque até agora
espero, busco, procuro e a parte de mim está no escuro, sem cor, sem vida.
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